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  • Cris Campos

Você tem a Síndrome da Salvadora?



Você já ouviu falar em Síndrome da Salvadora ou Salvador?


Quando descobri este conceito, ainda precisaram cair várias fichas para eu entender o quanto eu tinha uma forte tendência a entrar neste papel na maioria das minhas relações.


A pessoa que tem a Síndrome da Salvadora, coloca toda a sua energia no outro. Está sempre disposta a ajudar, dar conselhos, fazer pelo outro.

Lendo isto, você pode pensar: desde quando isso é um problema?


O ajudar vira um problema quando:

  • Você ultrapassa os seus limites para oferecer esta ajuda;

  • Você ajuda MAIS do que outro PEDE e mesmo quando ele NÃO pede;

  • Você ajuda esperando algo em troca, mesmo que esta expectativa seja inconsciente. Se não vem, se sente no direito de controlar a vida do outro, de fazer cobranças e assim por diante;

  • Você deixa de olhar para as suas necessidades. Esta ajuda é uma maneira de você fugir de você, dos seus problemas e suas dores.

O Triângulo de Karpman ou do Drama explica bem a dinâmica criada em nossas relações quando nos colocamos no papel de vítima, agressor ou salvador.

Toda vez que nos colocamos no papel de salvador dentro de uma relação, automaticamente, vamos acionar de forma inconsciente, a vítima no outro.


Esta relação pode se encaminhar para uma codependência, na qual ambas as partes são prejudicadas.

A pessoa no papel de vítima se sente incapaz de lidar com a própria vida e problemas e acaba por muitas vezes se anulando, se submetendo.


O salvador, se sente responsável pelo outro, mesmo que isso o prejudique. Isso alimenta o seu ego e muitas vezes se sente “autorizado” a controlar o outro. Podemos dizer que acaba tirando a força e essência do outro.


O agressor, por sua vez, também precisa de uma vítima para que possa descarregar toda a sua raiva e se sentir “maior”.


Esta postura também ativa o salvador, que percebendo esta situação, já se coloca na posição de defender a vítima.


Quantas vezes na vida assumimos estes papéis?


É importante deixar claro que todos nós transitamos nestes papéis o tempo todo, mas temos um que é preferencial.

Quem tem como preferência o de salvador, pode muitas vezes ter aprendido esta atitude desde cedo.

Um cenário possível, é que esta pessoa quando a criança, se colou no meio da relação dos pais quando estes se afastaram emocionalmente ou quando, num pensamento mágico infantil, tentou poupar o sofrimento de um dos dois.

Perceba que este movimento não é obvio, acontece de forma oculta, e uma vez aprendido, se torna a maneira como esta pessoa, já adulta, vai agir em suas relações.


Outro hipótese é que esta pessoa, quando criança, aprendeu que tinha que cuidar para se sentir merecedora do amor ou para evitar o abandono. A partir disto, passa a ter um comportamento “salvador” para evitar de qualquer modo a rejeição.

Podemos dizer que a pessoa projeta em suas relações o comportamento que foi introjetado na infância.

Em que relações podemos perceber a Síndrome da Salvadora?


Nos relacionamentos afetivos, quando a pessoa fica o tempo todo tentando “desenvolver” o potencial do outro, quando assume responsabilidades excessivas na dinâmica da família, quando está sempre apoiando o outro à exaustão.


No ambiente de trabalho, quando a pessoa age como "mãezona", está sempre protegendo e fazendo pelo outro, com dificuldades de delegar e cobrar as devidas responsabilidades.


Na escolha da carreira, quando a pessoa escolhe uma profissão da ajuda sem a consciência dos limites desta ajuda e a utiliza como anestesia de si mesma.


Nas amizades, quando a pessoa tem amigos que estão sempre se colocando em enrascadas e pedindo sua ajuda.


Na família, quando a pessoa tem aquela mãe que sempre quer desabafar, contar das brigas com seu pai, reclamar da vida e que por mais conselhos que ela tente dar, nada resolve.


Você se identificou ou conhece alguém assim?


Se sim, deve estar se perguntando como sair disso.


Aqui vão algumas dicas:


1) Se coloque como observador e se afaste da posição de salvador assim que perceber que está entrando nela.


Vou te dar um exemplo que vai ficar mais claro: sua amiga liga para reclamar da vida.

Ativando o seu observador, você percebe que ela não está procurando uma solução, só quer mesmo é desabafar. Apenas ouça e concorde. Desta forma, você não ativa a dinâmica, vítima-salvador e se mantém numa posição neutra e afastada.


2) Ressignifique a forma como você foi educada, pois muitas vezes os exemplos e frases que ouviu podem ter feio você entender que o seu papel deveria ser o de cuidadora.

Lembrando que o problema não é o cuidar em si, mas tudo o que já falamos neste artigo.


3) Dê a sua ajuda se for solicitada, sem esperar nada em troca.

Se trabalha com a ajuda, se coloque sempre como um adulto diante de outro adulto, oferecendo apenas o que você tem para dar na medida que o outro permite.


4) Olhe para dentro. Cultive seu amor próprio e cuide das suas necessidades. Coloque você como a sua maior prioridade.




Artigo escrito por Cristina Campos, hipnoterapeuta e terapeuta sistêmica.

Auxilia nos processos de transformação e auto cura, ajudando as pessoas a olharem para dentro, resgatarem sua autoconfiança e (re)criarem sua vida com sentido


Como posso te ajudar?

Entre em contato pelo (11) 99634-3977 para saber mais detalhes.


Siga a Cris Campos no Instagram: @criscampos.hipnoterapia

O tratamento pode ser presencial em SP (São Paulo e Vinhedo) e online.


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